Einherjar: Capítulo 1

Capitulo 1: Eclipse/A Juventude

Um homem caminha na neve de um norte ancião, em sua mão está um cajado improvisado feito de madeira dura como ferro, em suas costas porta um lâmina comprida, com uma empunhadura comprida, certamente o artesão que a confeccionou tinha a perigosa arma em grande estima, além de um gosto curioso, pois havia colocado sua assinatura na base do punho, próximo ao pomo.
-Maldito frio… Se os lobos não estivessem me seguindo…Merda - disse ele enquanto escorregava numa placa de gelo, ouvindo uivos a distância..
-Esses caras não vão largar do meu pé.. só porque eu dei ao amiguinho deles o que ele merecia.. - Ele subitamente parou e olhou para os pés, analisando os ossos de suas pernas, apertando e esticando - Nada quebrado.. pelo menos isso, dói muito para voltar ao normal, bem… o que posso eu fazer? Vou mais para cima, onde nenhum deles teria o culhão de ir… Lugarzinho infernal, fico pensando porque inventei de entrar naquela caverna.. Só porque o meu olho esquerdo fica pulsando perto de coisas interessantes eu não deveria me compelir a me meter em encrencas… Mas não… - Disse ele arfando - Tinha que ter um maldito elfo escuro fazendo experimentos com gigantes e serpes aladas e o otário aqui achou por bem que tinha que atrapalhar. - Considerando o bom lado de suas ações ele disse: - Desde que eu tenha ajudado no serviço dos deuses, acho que não importa muito, afinal ser tragado para um corpo deformado pelos experimentos e amaldiçoado pelas vontades imundas deles se resolve fácil… - seu humor havia se tornado um tanto amargo, cáustico e sarcástico dadas as circunstâncias - Tudo era fácil no mundo dos vivos, agora que eu morri tem que ser esse inferno. De certo que quem concordou com caçar os quatro da aliança fui eu... - Seu corpo, embora deformado, era forte e veloz, além de ser pouco afetado pelo frio. Enquanto ele reclamava de suas decisões e problemas conseguiu alcançar uma grande montanha congelada - Só mais um pouco!
Com muita sorte, ele avistou uma caverna pequena o suficiente para que seus perseguidores, que tinham o tamanho de casas, não conseguirem perturbá-lo. Olhando para as paredes ele percebeu que havia algo de estranho, seu olho doía como se quisesse mostrar algo, mas que não se revelaria facilmente. Ao suprimir seu olho com pura força de vontade resolveu pegar a neve e tampar a entrada, torcendo para que seu rastro de cheiro fosse apagado com o péssimo clima. Terminando sua empreitada optou por acender uma fogueira:
-Será que no meio do reino da neblina, nas profundezas mais gélidas da região habitável, eu conseguiria acender fogo? Se não der… Espero que dê… tem que dar. - De sua grande mochila ele retirou alguns feixes de lenha que removeu da floresta antes de ser perseguido - Madeira da floresta de ferro… - ele bateu com a lâmina na madeira tentando discernir pelo som se a composição era parecida com o que ele lembrava da madeira do mundo físico. Após examinar, determinou que era próximo o bastante para tentar:
-Naudh! - Disse ele com sua voz verdadeira enquanto atritava e olhava fixamente para a madeira empilhada como uma fogueira. Houve um breve agitar, mas era como se ele não conseguisse extrair o potencial real da runa, não facilitava também a madeira estar impregnada com a energia funesta das crias do lobo. - Hmmm, então você não quer obedecer… Eu aceito o desafio.
 Ele sacou a lâmina e começou a gravar nos feixes, primeiro Nauthiz, em seguida Uruz, simbolizando o Auroque primordial que era o único capaz de se alimentar do gelo e, então, gravou Sowelu, a runa do sol. De sua mochila sacou um pouco de papel e azeite. Pegando o azeite espalhou um pouco sobre a madeira e sobre o papel e iniciou o fogo com a pederneira, houve certa relutância do material em pegar fogo, pois quanto mais próximo da essência primeva do frio, um universo em constrição, menos conceitos como calor e fogo fazem sentido. Eventualmente o papel pegou fogo e o azeite com ele, o homem com muito cuidado colocou o papel sobre a fogueira, lentamente o azeite ferveu e pegou fogo, as runas na madeira começaram a brilhar, como se subitamente houvesse energia para que elas desempenhassem suas funções, a madeira pegou fogo, mas muito pouco, mantendo por pouco ele aquecido.
-E não ouse retrucar novamente! - Disse ele estoicamente.
Sentado próximo ao fogo a dor começou novamente, porém, desta vez ele conseguiu identificar a origem do incômodo:
-Nove céus acima! Eu conheço um senhor que ficaria interessado nisso!
Antes de prosseguir com o estudo de seu objeto de atenção decidiu que seria mais prudente descansar, ele se deitou em posição fetal, tentando manter o fogo próximo de seu abdômen, em meio às dores do último dia e as tensões que sofria começou a se lembrar entre sonhos febris de tudo o que o levou até esse ponto.
 Em dias específicos certos rituais são feitos, é dito que seres curiosos de grande poder conseguem atravessar o véu quando as estrelas possuem um certo alinhamento em determinadas épocas do ano e respondem aqueles que têm a coragem de invocá-los, isto é, se forem considerados dignos. Porém, o que pode ser dito sobre as almas humanas? Nascemos aleatoriamente quando é possível? Ou somos regidos pelas mesmas leis? O que pode ser dito sobre alguém nascido sobre a sina do eclipse total, um dia temido pelos povos antigos que carrega tantos significados?
Herman e Aleida chegaram no Brasil em 1985 e se estabeleceram em uma pequena colônia em São Paulo. Era um povo curioso e recluso que dizia ter vindo da Europa Ocidental por conta de pressões sociais.
Pouco se sabia sobre eles exceto ocasional o sumiço da família alguns dias por ano. Herman Thurold, trabalhava em um jornal da cidade usando o conhecimento que trouxe da Alemanha para alavancar os negócios. Aleida Hausen, apesar de muito instruída para a época, não encontrou muito espaço para trabalhar com pesquisa, dando aulas de ciências em um colégio próximo a colônia.
O filho, porém, só nasceu seis anos depois que eles se estabeleceram na pequena cidade de Nova Mannheim, uma cidade de colonos antigos e novos, no dia 11 de Julho de 1991, foi considerado um bom presságio para sua família, pois, nasceu na exata hora em que o sol voltou após o eclipse, mesmo que este já não estivesse mais visível no céu.
Após uma discussão acalorada muito postergada pelo casal - que não havia decidido se o nome da criança seria alemão como o do pai ou holandês como o da mãe - Decidiram, por fim, nomeá-lo Ernest Hausen Thurold.
Em 1998 a situação da família havia mudado drasticamente, o pai era jornalista sênior e a mãe conseguiu uma vaga como pesquisadora na universidade. Ernest, embora muito novo, percebia detalhes que passavam despercebidos por outras pessoas, uma chave esquecida, um objeto diferente, como um broche de flores que a mãe usou uma única vez e, certo dia percebeu algo estranho na casa da família, logo se colocando a questionar seu pai:
-Pai, o que nós temos no sótão? Por que não dá para vê-lo da rua?
-Ernest, eu te já disse, o sótão é perigoso, é um dos locais da casa que temos que reformar antes de poder usar e… Quanto ao porquê de não ser visível de fora? Essa pergunta eu não sei responder, o antigo dono da casa devia ter seus motivos.

-Mas você e a mamãe ficam lá por horas... E as vezes me deixam com os vizinhos e somem e eu não gosto deles.. eles ficam rezando o tempo todo e querem que eu participe..
-Isso é porque… estamos reforman… Calma, como assim eles querem que você participe? O que eles fizeram?
-Nada demais, eles querem que eu fique segurando as mãos deles e repita o que eles estão falando…
-Filho, lembra de quando nós conversamos com você sobre os deuses? Nós somos de outra religião.. Eu já falei com eles sobre isso, mas parece que teremos que mudar um pouco as coisas. Quando você voltar da escola nós vamos conversar com a mamãe, não se preocupe.
 Um pouco depois, Ernest foi deixado na escola por seu pai, foi uma tarde tranquila, a não ser pela ansiedade, ele não odiava realmente os vizinhos e eles o tratavam bem, mas não conseguia gostar de ser forçado a participar das rezas sem fim do senhor Braun e seus filhos. Eram os anos 90 e, por mais que os Thurolds tentassem evitar intrigas com seus vizinhos, o nascimento do filho tornou o equilíbrio um tanto mais complicado.


Ao chegar em casa, sua mãe já havia chegado da universidade e a família estava se preparando para o jantar.     

-Então o Braun não parou com as rezas perto do Ernie? - Disse Aleida

-Não… Mas já deveríamos ter imaginado… ele sempre quis nos levar para a igrejinha da cidade, estava na cara de que ele tentaria nos converter através do Ernest…

-Não sei se o raciocínio dele chegou tão longe, a religião dele é a única coisa que ele conhece que dá estrutura, não seria muito estranho que ele quisesse…

-Batizar o nosso filho e inventar alguma besteira para que fossemos junto?

-Calma amor! Estou dando o benefício da dúvida…

-Dúvida? - disse ele completamente imbuído de ceticismo e crítica - Eu sei querida, mas não tenho paciência restando para aqueles que mexem com a família dos outros… - Almeida imediatamente mudou de expressão, entendendo a raiva do marido.. seu olhar distante.. lembrando de memórias que preferia ter esquecido - bem, teremos que incluir o Ernest nas práticas… E isso porque eu queria que ele só começasse quando fosse mais velho…

-Estava pensando nisso também, creio que será para o melhor… Embora que… horas extras serão coisa do passado.

-Dependendo do caso consigo escrever de casa, a dificuldade será nos dias os quais tenho que sair para fazer reportagens.

-Eu vou para o turno da noite, você fica com ele de tarde, pelo menos até ele ficar um pouco maior e conseguir se virar… a menos que… Tem os Ritter!

-Eles? Bem… eles sabem que somos de outra religião e tem um filho da mesma idade que o nosso… mas… eles são estranhos..

-Querido… talvez você não saiba disso, mas nós somos ocultistas e politeístas, não dá para ficar mais estranho que isso!

-Hahaha, verdade, embora que nós sejamos bem… recatados? não… que tal… modestos! - Disse Herman, jocosamente.

-Sei, sei…

-Vamos mostrar o sótão para ele e acabar logo com isso
No final da noite, os pais levaram seu filho ao sótão.
-Ern, talvez eu não tenha sido tão honesto com você hoje cedo, nós queríamos esperar um pouco antes de te mostrar o sótão, mas como nossos vizinhos não conseguem se controlar, vamos te mostrar o que realmente tem lá.

-Eu sabia! vocês estavam escondendo algo de mim! Ninguém fica num sótão bagunçado por horas e ele continua bagunçado!

-Filho - disse a mãe - Não estamos escondendo coisas de você, você ainda é novo e não vai conseguir entender tudo o que vamos te mostrar, você precisa nos prometer que não vai contar isso para qualquer pessoa, tudo bem?

-Tudo, eu já falo que somos ateus na escola, o que é mais um segredo? - disse o jovem com um risinho infantil e girando seus pequenos olhos cor de topázio.

 A casa era uma das maiores na vizinhança e os pais gastaram uma quantia significativa de recursos que trouxeram da Europa para expandi-la ainda mais, dito isso não era uma casa particularmente luxuosa, mas era confortável. Móveis em madeira boa, imitações de quadros famosos e as paredes em um tom verde musgo, Ernest sempre se admirava enquanto explorava a casa em suas andanças aos finais de semana, era quase como se sempre tivesse algo novo para explorar, seja o quintal com suas árvores enormes, os canteiros intocáveis da mãe, a sala das reportagens mais famosas do pai, o quarto com as relíquias da família - como ele amava esta sala! O antigo sabre que seu avô ganhou em uma disputa era de longe o que ele mais admirava ali - porém, sempre houve algo oculto para ele, atrás de chaves e uma porta pesada e maciça, O Sótão! A única sala da casa que, até onde sabia, não tinha janelas e ficava trancada a maior parte do tempo.
 Uma das dúvidas de nosso jovem explorador era sobre o estilo das salas da casa, algumas apresentavam o visual gótico, outras vitoriano, algumas ainda eram modernistas no limite. Ele não entendia realmente de arquitetura, contudo, achava que os pais tinham, em fato, um gosto muito duvidoso por terem escolhido aquela casa como moradia. Após alguns bons minutos andando eles chegaram ao famigerado sótão.

 Ao entrar no quarto viu a sequência de incontáveis estátuas, todas detalhadas, algumas, mesmo que minimamente, ele conhecia dos livros que os pais liam para ele, mas ao contrário do que ele julgava ser normal, todas as estátuas usavam robes e túnicas, apresentando um ar de sabedoria. 
-Mamãe, pai... esse quarto é enorme, como vocês esconderam isso de mim?

-Não foi muito difícil, você dorme cedo - disse a mãe

-E nós temos a chave e você não - disse o pai - além de você ficar com os vizinhos nos dias das práticas mais demoradas.

-Que incrível - disse Ernest, desconsiderando completamente o humor sarcástico de seus pais - São os deuses, certo?

-Sim, aquele no centro é Odin, temos imagens das nove Disir de Lifjaberg, dos Aesires e dos Vanires, bem como dos Alfar e Ljosalfar, aquele ali no centro é o Altar que usamos nas nossas práticas mais pesadas.

-O que nós queremos é que agora você participe conosco nas práticas, se você quiser…

-Eu quero! O que eu tenho que fazer?

     Após isso, os pais passaram o que restava da noite, antes da hora de dormir, explicando para o filho o que ele deveria fazer e como, eram de fato coisas simples, fazer oferendas de incenso, entoar alguns cânticos rápidos e prestar muita atenção quando fossem feitos os rituais no sótão, que, na verdade, era o templo do casal.

...

Passaram-se algumas semanas desde que o promissor Ern passou a efetuar os rituais mais simples da família, não era esperado muito dele, afinal ele estava estudando e suas notas eram a prioridade da família, no entanto, esse pequeno contato que fazia agora com as forças divinas havia se tornado uma parte preciosa da sua vida. Seus pais se preocupavam muito em não serem fanáticos, sabiam por experiência, que tanto na Europa, quanto no Brasil, os exageros da população comum eram a fonte das maiores discórdias e misérias, logo, ao criar Ern deixaram que ele desenvolvesse um afeto puro pelos deuses, corrigindo apenas quando necessário sua interpretação pura do mundo.
A mãe do jovem tinha alguns planos reservados para ele, quando tivesse oito ou dez anos, começaria com suas lições práticas sobre a tradição, não a parte mais difícil dos estudos, mas autodefesa e outros métodos para tirá-lo de enrascadas. O pai, porém, gostaria que seus estudos começassem quando ele fosse adolescente ou talvez adulto, “Nosso filho tem que crescer e estar preparado para a vida” ele dizia para sua esposa, embora que ele conhecesse os riscos de outros praticantes, especialmente seus rivais do antigo continente, os quais mesmo em tenra idade havia derrotado e evadido com êxito, quererem atacá-lo traiçoeiramente através de incontáveis formas.
Herman conheceu Aleida com 15 anos, eles faziam parte do mesmo grupo de estudos no colégio, não tinham muito em comum a princípio, ela já era apaixonada por física e biologia e, o pouco de ciência que ele conhecia devotava fervorosamente ao jornal da escola. Pouco a pouco foram ficando íntimos e perceberam que suas visões de mundo não eram tão diferentes. 
 Passados alguns meses desde que se conheceram, Herman desenvolveu um afeto genuíno por Aleida, em um ato de bravura - não obstante causado por hormônios em polvorosa - após terem saído junto a seus colegas e passado uma tarde estudando a sós, ele decidiu por compartilhar um dos segredos de seus ancestrais com sua secreta amada:

-Minha família adotou o sobrenome de Thurold há cerca de… 300 anos, quando meu ancestral Ernest foi salvo por um estranho com longos cabelos ruivos que portava um grande malho de aço. - Aleida, ao ouvir isso, cerrou as sobrancelhas, atenta, mas em dúvida.

-Dizem na minha família que o estranho teria vindo do norte da Islândia há apenas alguns dias e, sozinho, teria escorraçado alguns arruaceiros que tentaram roubar esse meu ancestral.

- Como ele fez isso?

- Ele, com um único movimento do malho, arrebentou um dos sujeitos com tanta força que os outros fugiram. Os dois forjaram uma grande amizade e mesmo depois que o estranho voltou para sua terra eles trocavam correspondências, muito tempo teria se passado quando ao ler sobre o passado mitológico da Alemanha ele descobriu os muitos nomes do deus nórdico das tempestades, percebendo que o nome que o estranho havia lhe dado era curiosamente semelhante. Como sua vida melhorou em um golpe de sorte depois do traumático evento, Ernest decidiu mudar o nome de sua família para Thurold, originário de Thor Valdr - Regente Thor - e a partir daquele momento mudou de religião e transmitiu suas novas tradições aos seus descendentes.

Aleida ficou espantada com a história e mais que isso, estava vibrando com a descoberta de uma religião ancestral. No decorrer de sua tenra vida, ela desenvolveu um desgosto por fanatismo e dogmas que foi causado após tortuosos anos ajoelhada sobre grãos de milho na casa de seus pais, pedindo perdão sem fim por causa deste ou daquele dogma, sem mencionar os surtos que o pai dela tinha quando ela falava contra o criacionismo à mesa.

A amizade dos dois cresceu a partir deste ponto, desde então Aleida ajudava Herman com os estudos de física, biologia e química e, por outro lado, ele a ajudava com linguagem, história e geografia e dava algumas aulas de tradicionalismo germânico quando podia. Passados dois anos - repletos de timidez e perseguição dos pais de Almeida - eles conseguiram se casar. 

Quatro anos após o casamento, uma cerimônia fechada com uma grande festa depois, Aleida trouxe o ocultismo para a equação. Os dois começaram a frequentar ordens ocultas na Europa, tentando discernir um caminho e incrementar com o seu conhecimento das tradições antigas, foi quando, ao ler um dos Líberes, observou a frase: “Tu obterás a ordem e valor do alfabeto inglês: tu acharás novos símbolos aos quais atribuí-los” e com isso raciocinou os ingleses são um povo anglo-saxão, descendentes de povos germânicos e celtas, a linguagem por si é predominantemente derivada desses povos, a ordem e o valor poderiam estar associados às raízes da língua e os novos símbolos, poderiam significar as runas do antigo Futhark.
Herman nesta época já estava operando em um jornal alemão, seu trabalho era, na maior parte do tempo, cobrir alguns furos jornalísticos e fazer a manutenção das impressoras. Quando chegou em casa ouviu a teoria da esposa, de fato, era interessante, mas porque o Livro da Lei estaria direcionando seus leitores para buscar as raízes da língua inglesa? E como isso se relaciona com a aquisição da lei pessoal de uma pessoa? Para ele, a resposta viria somente alguns anos antes do nascimento de Ernest.
Algum tempo se passou e surgiram atritos com os grupos e ordens que frequentavam, não diretamente de Aleida e seu marido com os outros, mas por intrigas internas de sucessão. Os grupos estavam passando por uma situação crítica, seus líderes estavam sendo convocados para participar dos graus mais altos das ordens e isso levou a uma competição acirrada pela liderança, em suma, desencadeando uma guerra mágica. Esse tipo de disputa não é feito com varinhas atirando feitiços, mas sim, uma guerra gutural de troca de maldições e tentativas de assassinato.
Herman e Aleida saíram por cima na disputa ao trabalhar bem suas defesas e contra-atacar eficientemente, muitas vezes é possível voltar um feitiço contra o feiticeiro, embora que isso demande preparação. Eles eram ótimos discípulos e apresentavam um ótimo trabalho em grupo, assim como provaram em inúmeras ocasiões que eram ótimos líderes.
As coisas pareciam estar indo bem para os dois, a esposa estava terminando seu mestrado e o esposo havia sido promovido depois de uma reportagem sobre uma tentativa de terrorismo que flagrou.

Continua....

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